Ministro publica post que chama Bolsonaro de traidor e apaga

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, compartilhou uma postagem de um youtuber conservador que chama o presidente Jair Bolsonaro de traidor por não ter vetado, como queria o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a criação do “juiz de garantias” ao sancionar o pacote anticrime. Após a publicação, Weintraub apagou a mensagem alegando ter se enganado.

“Estou em viagem, em um navio, com internet intermitente. Fico horas sem internet. Dei RT sem querer em um post. Evidentemente que foi um erro”, afirmou o ministro.

Weintraub republicou uma postagem do youtuber Nando Moura que ficou conhecido nas redes por defender a pauta conservadora e ser um dos perfis mais influentes dentro da rede de apoio ao presidente no mundo virtual. Pelo Twitter, Moura afirmou que Bolsonaro, ao sancionar a emenda, “traiu não só o ministro Sérgio Moro mas todo o povo brasileiro”.

“Não existe mais nenhuma justiça neste país”, disse o youtuber. A postagem de Nando Moura foi uma das mais republicadas no dia e hastag #BolsonaroTraidor ficou entre os principais assuntos do Twitter.

Ainda nas redes sociais, o irmão do ministro, Arthur Weintraub, assessor especial do presidente, tentou explicar a situação.

Entenda

Nesta quarta-feira, 25, o presidente sancionou o projeto de lei do pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, com 25 vetos. A Casa Civil havia recomendado uma rejeição maior à proposta, tendo sugerido 38 vetos. Entre os pontos que ficaram de fora, está a criação do juiz de garantias que foi um jabuti – termo utilizado quando os parlamentares inserem a proposta – proposto pelo grupo de trabalho da Câmara dos Deputados, mas havia a rejeição por parte do ministro Sérgio Moro, informa o Terra.

Após o veto de Bolsonaro, Moro deixou claro que o projeto anticrime sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro “não é o dos sonhos”, mas apresenta avanços e que era contrária a proposta do juiz de garantias.

“Sancionado hoje o projeto anticrime. Não é o projeto dos sonhos, mas contém avanços. Sempre me posicionei contra algumas inserções feitas pela Câmara no texto originário, como o juiz de garantias. Apesar disso, vamos em frente”, disse o ministro.

A proposta determina que dois juízes conduzem um caso em tempos distintos. O primeiro deverá conduzir a investigação criminal, em relação às medidas necessárias para o andamento do caso, e de outro que ficaria com o recebimento da denúncia e a sentença. O trecho foi classificado como uma proposta “anti-Moro”, levando em conta a atuação do ministro quando era juiz federal da Lava Jato, em Curitiba.

26/12/2019